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“V.I.D.A.” – exclusiva com diretor

Geison Ferreira -diretor, produtor e roteirista

Adorocinema·
“V.I.D.A.” – exclusiva com diretor

Um dos destaques da mostra competitiva do 41º Festival de Brasília, que ocorrerá entre 18 e 25 de novembro, o curta-metragem V.I.D.A., dos diretores Geison Ferreira e Vinícius Zinn, tem causado comoção a quem o assiste. O Adoro Cinema entrevistou o diretor Geison Ferreira, que falou um pouco sobre a proposta do filme e as dificuldades em fazer cinema no Brasil.

Adoro Cinema: Como surgiu a idéia de fazer um curta-metragem sobre um tema tão complicado quanto a depressão?

Geison Ferreira: Certo dia eu estava numa grande avenida em São Paulo, no banco de passageiros, enquanto uma amiga minha dirigia. Ela teve uma crise. Chorava enquanto dizia estar passando muito mal. Pedi que ela encostasse o carro. Ela só dizia que não agüentava mais tamanho sofrimento. Há vários anos fazendo tratamentos e tomando corretamente suas medicações. Conseguimos chegar até sua casa. Fiquei abraçado com ela. Era tudo o que eu poderia fazer. Na verdade, era tudo o que deveria ser feito naquele momento. Ela dormiu. Pensei muito naquela noite. No dia seguinte fiquei muito feliz por, simplesmente, vê-la. Foi a partir da troca de experiências como esta que enxergamos a importância de falar sobre este tema. Hoje em dia é muito difícil não conhecer alguém com algum histórico de depressão.

Adoro Cinema: No é dito um pouco sobre como foi a pesquisa do tema e o ensaio com os atores. Gostaria que você falasse um pouco sobre este processo.

Geison Ferreira: Li muito sobre a depressão, para entender melhor o que estávamos falando. Existe muita informação sobre a questão patológica da doença. Mas foi a partir de depoimentos, dos relatos e detalhes do cotidiano de pessoas depressivas que realmente fui me sensibilizando. Durante um tempo participei de grupos online de depressivos e comunidades pela internet. É lindo o trabalho de algumas pessoas que se disponibilizam a simplesmente dizer: "Olha eu também sofro com isto, você não está sozinho!". Participar desses grupos foi importante para entender que cada ser humano lida com a depressão da sua melhor forma possível. E isto trouxe liberdade para a direção e para os atores. Fizemos uma semana de ensaios simulando a reunião que acontece no filme. Juntos, líamos depoimentos, os atores comentavam sobre experiências, e aos poucos, o Vinicius (Zinn, co-diretor do filme) e eu, fomos trazendo os atores para as situações que o roteiro sugeria.

Adoro Cinema: Algo que chama a atenção no curta é que ele mostra vários estágios da depressão, tanto pessoais quanto no relacionamento com outras pessoas. Como foi a decisão do que deveria ser tratado sobre este tema, bem como a forma de sua abordagem?

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