Cannes 2014: Mommy, de Xavier Dolan, entra na disputa pelos prêmios principais
Exibido ontem à noite para a imprensa internacional, o filme foi bastante aplaudido ao término da sessão.

Exibido ontem à noite para a imprensa internacional, o filme foi bastante aplaudido ao término da sessão.
Restando apenas dois dias para o término do Festival de Cannes, a mostra competitiva ainda guarda surpresas. Uma delas foi exibida ontem à noite: Mommy, novo filme dirigido pelo garoto prodígio Xavier Dolan, calorosamente aplaudido ao término da sessão.
O longa-metragem acompanha o comovente e complicado relacionamento entre uma mãe meio amalucada e seu filho adolescente hiperativo, que não consegue se controlar. Dependentes um do outro e ao mesmo tempo em busca de uma certa liberdade, eles batem de frente a todo instante – às vezes com consequências imprevisíveis. Quem acaba servindo como fiel da balança no convívio entre os dois é uma vizinha, que passa a ajudar o garoto em seus deveres de colégio.
Com um elenco afiadíssimo, especialmente Anne Dorval e Antoine-Olivier Pilon, intérpretes de mãe e filho, Mommy surpreende principalmente pelo belíssimo trabalho conceitual de Xavier Dolan na direção – ele assina também o roteiro, a produção, a edição e, ufa!, o figurino. Brincando com os vários formatos de tela, Dolan demonstra ter pleno controle da história e do modo que deseja contá-la, inserindo poesia em uma realidade por vezes tão dura.
Ainda pouco conhecido do grande público, Dolan já é frequentador de Cannes há tempos. Afinal de contas, quatro de seus cinco longas já lançados foram exibidos no festival – os anteriores foram Eu Matei Minha Mãe, Amores Imaginários e Laurence Anyways. Entretanto, com Mommy é a primeira vez que ele compete pela cobiçada Palma de Ouro – e tem muita gente que já o coloca como um dos principais candidatos ao prêmio máximo de Cannes.
Na coletiva de imprensa realizada hoje, o diretor falou sobre a proeza de ter dirigido e desempenhado tantas funções em cinco filmes lançados em cinco anos. "Não é trabalho para mim, é minha paixão, meu modo de me expressar. É como se fosse uma grande droga, eu preciso criar. Sou novo, mas não sei quanto tempo terei pela frente."
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