The Pirate Day
← Notícias
NOTÍCIAS

Opinião: Por que os personagens gays da Disney incomodam, mas não precisariam incomodar

É preciso aprender a lidar com a diversidade no mundo, e no cinema.

Adorocinema·
Opinião: Por que os personagens gays da Disney incomodam, mas não precisariam incomodar

Na última semana, a Disney surpreendeu com dois projetos envolvendo personagens homossexuais. O primeiro foi o beijo entre dois homens, exibido no programa Star vs As Forças do Mal. O segundo foi a presença de um personagem homossexual na versão live action de A Bela e a Fera – no caso, Le Fou (Josh Gad), que se sente atraído por Gastão.

O filme ainda não estreou nos cinemas, mas as repercussões foram tão violentas nas redes sociais, e nos próprios comentários do AdoroCinema, que a gente decidiu comentar o assunto:

1. O que merece a nossa indignação? As crianças crescem vendo desenhos e filmes violentos, com insinuações de sexo, maus-tratos e muitos elementos nocivos para a idade. Adolescentes podem ver as batalhas sangrentas dos filmes de guerra, as piadas grosseiras de muitas comédias, a sexualização de crianças nos programas infantis, e poucos pais ficam indignados com esse conteúdo. Mas um beijo, ou a simples presença de uma pessoa gay numa história são suficientes para a indignação?

2. "Mas isso vai ensinar as crianças a serem gays!". Não, não vai. Gays e lésbicas cresceram vendo apenas relacionamentos heterossexuais nas novelas, nos filmes, nos desenhos, nas propagandas, no discurso dos governos, nas religiões. Mesmo assim, continuam sentindo atração pelo mesmo sexo. Isso não significa que sejam pouco inteligentes, e sim que não se ensina a sexualidade ou a orientação de gênero: o desejo é algo extremamente complexo e forte no ser humano. Especialistas ainda divergem sobre a origem da homossexualidade, mas nenhum deles sugere que o simples fato de ver uma pessoa gay transforma o espectador em gay, assim como ver assassinos nos filmes de terror nunca aumentou as estatísticas criminais. Isso apenas indica à criança que pessoas gays existem.

3. "Mas a criança ainda é nova para saber disso!". É importante saber que a diversidade existe, porque somos constantemente confrontados a ela na sociedade. Ocultar a existência de gays, fingir que não existem, não ajuda nem os héteros, nem os gays. Outro elemento importante: dizer que gays existem não significa encorajar ninguém a ser gay. Você pode apresentar uma realidade sem defendê-la, algo que o cinema costuma fazer muito bem. Lembram quando a Laika incluiu um adolescente gay na animação ParaNorman? Pois é, muita gente nem lembra. Isso passou despercebido, como algo natural. Nenhuma família foi destruída por causa disso, o que nos leva ao próximo argumento.

4. "Mas isso vai acabar com a família brasileira!". Menos, bem menos. Pessoas gays (e animais gays, de centenas de espécies) existem desde que o mundo é mundo. Nas artes, o homoerotismo é representado em quadros e esculturas há séculos. Nenhuma família foi destruída quando tiveram pequenos beijos gays, ainda bastante tímidos, nas telenovelas. Nenhuma família foi destruída com os personagens gays de O Segredo de Brokeback Mountain, com a insinuação de bissexualidade de James Bond em 007 – Operação Skyfall, e também não serão afetadas com a existência…

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram

Deixe um comentário