Legion: Crítica da primeira temporada
A nova série da parceria entre a Marvel e o FX evidencia toda a sua ambição em uma primeira temporada alucinante e psicodélica.

A nova série da parceria entre a Marvel e o FX evidencia toda a sua ambição em uma primeira temporada alucinante e psicodélica.
Quando o FX exibiu o primeiro episódio de Legion, nós escrevemos: "[Isso] é o que aconteceria se Marvel, Noah Hawley, Twin Peaks e o primeiro álbum do Pink Floyd tivessem um filho juntos." Uma temporada inteira (de oito episódios) depois, o quebra-cabeças está montado e a ‘viagem’ garantida. Por isso, é fácil dizer: Legion define o próximo grande patamar nas histórias de heróis.
Noah Hawley, o showrunner e roteirista da série, já havia mostrado seu modus operandi nas duas primeiras temporadas de Fargo. Sempre há uma história maior a ser contada, e na sua primeira investida em uma adaptação da Marvel, Hawley traz a identidade de um drama elaborado e repleto de camadas de subjetividade para uma série que vem direto de uma HQ. Seu grande trunfo aqui talvez seja não subestimar a inteligência do espectador, deixando as interpretações livres o máximo possível e tendo certeza de que o público está inserido naquela “bagunça organizada” que é o pensamento do protagonista.
A série acompanha David Haller (Dan Stevens), um jovem diagnosticado com esquizofrenia que passou seis anos institucionalizado em um hospital psiquiátrico. Ele construiu uma amizade com a jovem Lenny (Aubrey Plaza), que está constantemente ouvindo músicas em seu próprio universo, e jamais deixa o lado de David. Mas a vida do rapaz muda completamente com a chegada de Syd Barrett (Rachel Keller), uma jovem que não gosta de ser tocada e vai fazê-lo acreditar que as vozes que ele ouve em sua cabeça tratam-se de vozes, mas não exatamente loucura.
Para contar essa história da maneira que ela merece ser contada, Noah Hawley embarca (e leva todo mundo consigo) em uma viagem quase alucinógena. A narrativa beira o confuso quando ele passa episódios inteiros mostrando o que se passa em uma realidade que não é de fato real, mas a diferença mora no uso inteligente dos recursos estilísticos. Absolutamente tudo se presta a contar a história, seja a fotografia, a direção, as referências ao cinema mudo, a Bollywood, aos quadrinhos, o uso das cores e da trilha sonora. É fácil notar em que nível de realidade a narrativa está, seja porque ela está constantemente se certificando de que aquilo é somente uma pequena parcela daquele universo complicado, ou porque tudo ao redor é construído para que o público identifique o que é real e o que é imaginado.
Com tudo isso, não é difícil entender o que realmente estava acontecendo na primeira temporada de Legion, até porque com a exceção da embalagem surpreendentemente estranha e hipnotizante, o que existe no centro ainda é uma história da Marvel — com um lado bom, um lado ruim, e dezenas de personagens estranhos no meio. Por isso, dissecar o âmago do que Legion realmente significa talvez nem seja o exercício mais divertido ao se acompanhar a série (ao contrário do que havíamos pontuado nas primeiras impressões), mas é necessário apreciá-la em…
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