Game of Thrones S07E05: Atalaialeste, informação demais para tempo de menos
Nossa crítica do episódio

Desde o início da sétima temporada, Game of Thrones prometia três coisas para este ano: dragões, o Rei da Noite e duas guerras paralelas. Levou um tempo, porque afinal de contas não é tão simples reduzir o amontoado de histórias a três ou quatro arcos que se entrecruzam, mas eventualmente estamos chegando lá. O que é, definitivamente, bom para o desenvolvimento como um todo, mas deixa algumas consequências negativas no caminho.
Após uma avalanche de episódios que só melhoraram semana após semana desde ‘Dragonstone’, o antepenúltimo se destaca no sentido negativo, como o mais fraco da temporada. Não porque não tenha sido recheado de acontecimentos importantes e uma parte essencial para a completude da trama, mas porque o faz de forma muito apressada, extremamente burocrática e contraditória para vários personagens.
Há, é claro, aqueles tradicionais grandes momentos que tomam conta das conversas na internet, como alguns reencontros (e neste caso, foram muitos!) e uma piadinha aqui, outra acolá — só faltou Sor Davos (Liam Cunningham) olhar para a câmera e dar uma piscadela depois de dizer a Gendry (Joe Dempsie) que ‘achava que ele ainda estava remando’. Mas o fato é que tantos acontecimentos — e tantas viagens, aliás — demandam um certo tempo e precisam ser sentidas na narrativa de maneira eficaz — o que não acontece.
Neste episódio, por exemplo, Sor Jorah (Iain Glen) chegou a Pedra do Dragão, Tyrion (Peter Dinklage) e Davos foram e voltaram de Porto Real, Bran (Isaac Hempstead-Wright) enviou corvos de Winterfell à Cidadela e a Pedra do Dragão, e depois de tudo isso, Jon ainda retornou à Muralha na companhia de Davos e Jorah. Cada uma dessas viagens foi pontuada com várias decisões, o que as torna naturalmente importantes para o decorrer da trama, mas tudo é tão apressado que não é possível sentir a passagem do tempo, tampouco entender o real motivo por que estão sendo tomadas, se não unicamente porque o roteiro anuncia que precisa ser assim.
O tempo, neste quesito, é o maior inimigo do episódio. Não dizemos necessariamente de as viagens acontecerem tão rapidamente — isso já virou piada batida na internet —, mas porque condensa tudo isso em um único episódio, fica a impressão de que são todos pontos de virada que se acumularam sem lugar na sala dos roteiristas, e por isso ‘sobraram’ em um único episódio que precede o penúltimo, tradicionalmente rico e bastante aguardado.
O episódio exige atenção dobrada, talvez até mesmo pela aparição mais destacada de personagens menores; é claro que exigir um certo nível de atenção do público não é um problema, mas torna-se cansativo quando todo o texto soa como um enorme amontoado de acontecimentos que precisam obrigatoriamente se desenrolar, mas que são, no fim das contas, apenas intermeio para os grandes eventos que virão a seguir.
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