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Janela de Cinema 2017: O belo Verão 1993 retrata a morte pelo olhar das crianças

Enquanto isso, o drama brasileiro Açúcar decepcionou.

Adorocinema·
Janela de Cinema 2017: O belo Verão 1993 retrata a morte pelo olhar das crianças

Na segunda-feira, 6 de novembro, o X Janela Internacional de Cinema do Recife apresentou o primeiro filme estrangeiro em competição: Verão 1993, drama catalão de Carla Simón. A obra manteve o bom nível da noite anterior, quando As Boas Maneiras foi exibido. No entanto, a exibição especial do drama brasileiro Açúcar decepcionou.

Verão 1993 se concentra na experiência da pequena Frida (a excepcional atriz mirim Laia Artigas), que acaba de perder a mãe. Ela não entende exatamente o que aconteceu, nem a razão pela qual é obrigada a morar com os tios. Enquanto se adapta ao novo ambiente, tenta descobrir o significado da morte.

O drama é sensível e respeitoso, evitando as lágrimas fáceis. A diretora Carla Simón constrói o filme inteiro a partir de metáforas, fazendo a dor refletir nos símbolos ao redor, como as bonecas, os jogos das crianças, uma joaninha encontrada no caminho. Resta torcer para que o drama chegue no circuito comercial brasileiro em breve.

Já Açúcar se concentra na herança escravagista brasileira, através da figura de uma proprietária de terras (Maeve Jinkings) que retorna ao engenho da família para tomar posse do local. Chegando lá, ela se confronta à independência dos funcionários e se nega a abrir mão de sua posição hierárquica.

Este é o segundo filme exibido no X Janela, após Gabriel e a Montanha, a escolher como protagonista uma figura egocêntrica, mimada, incapaz de perceber seus privilégios diante da miséria ao redor. Nos dois casos, o filme não julga seu personagem nem toma distância em relação a ele, imprimindo uma incômoda sensação de condescendência.

Além disso, Açúcar tem uma curiosa construção estética, com fotografia lavada e enquadramentos pouco expressivos. A produção parece ter encontrado dificuldades para filmar nas locações, algo refletido nas fracas cenas da despensa e do moinho. Enquanto isso, as metáforas óbvias do início se tornam herméticas demais rumo à conclusão. Um filme indefinido em tom e ponto de vista, algo questionável diante de um tema tão grave quanto a herança colonial brasileira.

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