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Como o escapismo de Vingadores: Guerra Infinita reflete nossa sociedade (Análise)

Retrato dos tempos atuais.

Adorocinema·
Como o escapismo de Vingadores: Guerra Infinita reflete nossa sociedade (Análise)

ATENÇÃO: Este artigo contém SPOILERS de Vingadores: Guerra Infinita. Leia por sua conta e risco.

Vivemos tempos difíceis. No Brasil, o caótico cenário político-institucional, a escalada da violência em inúmeras cidades e uma recessão econômica sofrida, potente o suficiente para derrubar quaisquer ilusões de grandeza vendidas até pouco tempo atrás. Já nos Estados Unidos, a ameaça constante do terrorismo só se equipara à imprevisibilidade perigosa de Donald Trump enquanto presidente de uma das nações mais poderosas do planeta. Para além dos cenários particulares de cada Estado, desde a Oceania à América do Sul, há ainda a crise dos refugiados, a iminência de novas e inesperadas guerras no Oriente Médio…

Não é novidade para ninguém, portanto, o tamanho de nossa problemática situação, uma condição que se propaga sem fim aparente há pelo menos 100 anos. Da Grande Guerra saltamos para a Segunda Guerra Mundial e depois diretamente para a era da Guerra Fria e das ditaduras; em seguida, a epidemia da AIDS, a Guerra do Golfo, os ataques do 11 de setembro, o interminável e brutal conflito na Síria: em suma, um século de pouquíssimos respiros. Porém, todos estes tempos têm algo em comum para além do caos: a presença de Hollywood que, de uma forma ou de outra, sempre ofereceu doses generosas de um “remédio” cuja promessa é defender seus usuários da realidade e apresentar saídas para a angústia: o escapismo.

Como apresentado em nossa minissérie original A História dos Blockbusters, …E o Vento Levou, primeira das imensas bilheterias de Hollywood, ficou praticamente 10 anos em cartaz, de 1939 a 1947, arrancando suspiros ao redor do mundo. O ponto é que o clássico coestrelado por Clark Gable e Vivien Leigh não só transportou as plateias para longe da Grande Depressão ou dos ecos da Segunda Guerra Mundial, mas operou, acima de tudo, uma catarse que ofereceu ao público um mito de esperança para o futuro. Vinte ou trinta anos depois, os também gigantescos A Noviça Rebelde e Guerra nas Estrelas trariam renovadas porções de um otimismo cinematográfico que concretizaria a certeza de que o bem poderia vencer o mal, acima de tudo. Fundamentados sobre o eterno e maniqueísta combate entre as duas forças e com um pé na realidade – ou nem tanto, no caso de Star Wars -, estes épicos tornaram-se um bálsamo para as feridas abertas pela Guerra do Vietnã e pelo caso Watergate.

Após os ataques do 11 de setembro, a primeira catástrofe verdadeiramente televisionada, duas sagas emergiram para salvar o público do pânico recorrente causado pela ameaça – tenha sido ela fantasmática ou verdadeiramente evidente – do terrorismo: O Senhor dos Anéis e Harry Potter. Em ambas as franquias, as jornadas de seus heróis para conquistar artefatos mágicos e/ou livrar seus mundos dos domínios de maléficos antagonistas reforçaram a noção de que é possível encontrar um fragmento de fé em meio à destruição; que é possível, no fim das contas, triunfar se o bem for praticado. Por mais bregas ou…

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