Os Simpsons: A série mais longeva da história segue atual, criativa e mordaz (Primeiras impressões da 29ª temporada)
Maratona da série começa hoje e só termina com a estreia do novo episódio, amanhã, às 22 horas, na Fox.

Maratona da série começa hoje e só termina com a estreia do novo episódio, amanhã, às 22 horas, na Fox.
O primeiro episódio da histórica 29ª temporada de Os Simpsons prova duas coisas. Primeiramente, o quanto a realidade brasileira em 2018 é reflexo do contexto nos Estados Unidos e no resto do mundo. Em segundo, que a série mais longeva da televisão segue viva como nunca. Ou como sempre.
Como a abertura anuncia, "The Serfsons" porta os habitantes de Springfield para um cenário medieval baseado em Game of Thrones, principalmente, mas que referencia outras franquias fantásticas, como O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia e Harry Potter. E o que se vê é uma inspiradíssima sucessão de gags, com as mais variadas abordagens.
A simples adaptação dos clichês de Os Simpsons para Westeros já rende muitas piadas muito boas. Do trote para o bar do Moe entregue por corvo e consequência da vida promíscua do Krusty em uma Idade Média mágica à premissa absurda do episódio: a mãe de Margie tem um caso com o Rei da Noite — que é fissurado por "novinhas". Se os inúmeros easter eggs espalhados pelo cenário são um rico plus, o brilho de "The Serfsons" reside na característica que fez a série animada ser o que é: seu afiado humor crítico social.
Homer é retratado como um aldeão ignorante que idolatra o feudalismo e o enxerga como único meio de vida possível a despeito da exploração que lhe é imposta. Não muito diferente da crítica ao sonho americano que permeia a série desde 1989. Mas que se mostra incrivelmente relevante em 2018, haja vista as incontáveis demonstrações de ignorância política por parte do cidadão médio em todo o mundo.
Apesar da atemporalidade dessa provocação clássica de Os Simpsons, o que ilumina sua abordagem crônica é mesmo essa nova roupagem baseada em ícones da Literatura Fantástica. Exemplo disso é a alfinetada religiosa que transforma um personagem messiânico consagrado em um simples (e patético) Testemunha de Jeová. Hilário, criativo e mordaz.
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