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American Gods: “Gosto de Laura não ser uma pessoa muito agradável”, diz Emily Browning (Entrevista exclusiva)

Conversamos com a atriz que dá "vida" a Laura Moon.

Adorocinema·
American Gods: “Gosto de Laura não ser uma pessoa muito agradável”, diz Emily Browning (Entrevista exclusiva)

Você provavelmente se lembra dela como Violet Baudelaire em Desventuras em Série (o filme, de 2004), mas agora Emily Browning atende por Laura Moon — ou, se você for o Leprechaun Mad Sweeney (Pablo Schreiber), pode chamá-la também de “Esposa Morta”.

Não foi pouca a expectativa no entorno de American Gods, e levando em consideração a recepção da crítica e o forte impacto que a primeira temporada teve no público, pode-se dizer que a obra atendeu. Entre uma horda de personagens amplamente interessantes, deuses de todos os tipos e credos, Browning interpreta uma personagem que, a princípio, poderia soar apenas mais um papel feminino coadjuvante. “Laura Moon é a esposa de Shadow, o protagonista”, lêem as primeiras descrições da personagem. Nada tão empolgante assim, certo? Errado. Sua história está tão intimamente ligada com as raízes da série — de uma forma tão crua e divertida — que Browning torna-se um ponto de impacto que de maneira alguma poderia passar despercebido.

Por isso, não se engane: Laura não é sua típica-heroína-feminina-em-busca-de-amor. Embora, verdade seja dita, reconquistar o amor de Shadow seja mesmo o seu principal objetivo nesta vida ‘pós-vida’. Ela nem sempre é alguém com quem o público vai necessariamente se identificar, mas para a atriz, isto é algo extremamente libertador.

Emily Browning conversou com o AdoroCinema e contou qual o seu ponto de vista sobre os lados bom e ruim e Laura, as aberturas políticas de American Gods e ainda alfinetou a falta de anti-heroínas (ou de personagens femininas mais complexas) na TV.

Você interpreta uma personagem morta em American Gods. O quão diferente isso foi em relação a interpretar alguém que está viva?

Essa foi uma das perguntas que mais me fiz quando começamos a filmar. Fisicamente falando, acho que foi muito interessante interpretar uma personagem que não tem as necessidades humanas básicas. Ela não precisa dormir, não precisa respirar. Pensar nas coisas que ela deixou de fazer e nas coisas que continuou fazendo por puro hábito foi muito interessante. Por exemplo, qualquer tipo de reação mais emocional como suspirar ou ofegar, continua sendo parte dela. Mas, por exemplo, naquela grande sequência de batalha, os diretores não queriam que ela ficasse sem fôlego porque ela não precisa ficar, ela não precisa de oxigênio. Psicologicamente falando, o que foi interessante e libertador para mim foi o fato de que Laura, quando estava viva, era alguém que se importava com o que os outros pensavam dela e ela tinha muitas ansiedades por isso. Quando ela morre, Laura sente que um peso é tirado de suas costas e isso permite com que ela foque em Shadow, em protegê-lo. O fato de ela ter se tornado mais destemida depois de morrer foi bacana. Não há nada a temer se você não pode ser morto.

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