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Baskets: Crítica da segunda temporada

A sutil beleza da melancolia fez da segunda temporada de Baskets uma agradável surpresa.

Adorocinema·
Baskets: Crítica da segunda temporada

A sutil beleza da melancolia fez da segunda temporada de Baskets uma agradável surpresa.

Baskets estreou sua primeira temporada sem fazer barulho, e provavelmente o momento em que a maioria das pessoas ouviu falar da série foi quando Louie Anderson venceu o Emmy de melhor ator coadjuvante em série de comédia, no ano passado. A produção do FX, obscura e de nicho, encerrou recentemente a sua segunda temporada, que conserta alguns equívocos da primeira e apresenta uma história bonita, singela, e muito triste.

A trama é protagonizada por Zach Galifianakis como Chip Baskets, um homem que passou anos em Paris estudando para ser palhaço profissional. De volta à sua cidade natal, Bakersfield (California), ele lida com as pressões sociais e a estranheza da carreira que optou seguir. Face aos julgamentos de sua mãe, Christine (Louie Anderson), e do irmão gêmeo (e bem sucedido) Dale, Chip encontra trabalho como o palhaço do rodeio local, e a história se transforma em um jogo de experimentações e metáforas a respeito da vida adulta através de um personagem por vezes egoísta e absorto à realidade.

A primeira temporada de Baskets é de difícil digestão. A proposta de colocar no centro da trama um personagem deslocado é uma assinatura conhecida do coprodutor da série, Louis C.K., mas ao tentar se bastar somente por isso, a história se perdia em narrativas rasas com exercícios cegos de comédia 'pastelão'. Após alguns episódios, ficava claro que o grande trunfo de Baskets seria abandonar as fracas abordagens cômicas, e apostar no enorme e sutil potencial dramático que sempre existiu. Não havia espaço para leveza no meio daqueles personagens.

A segunda temporada acerta o passo ao entregar o protagonismo quase total a Louie Anderson, que sempre rouba a cena como Christine. O fato de Anderson interpretar uma mulher jamais soa como deboche, embora não deixe de ser cômico quando observamos a avalanche de expressões que passam pelo seu rosto durante o desenvolvimento de uma cena. Além disso, há complexidade e o principal acerto está ao explorar a difícil relação familiar daquele grupo heterogêneo. Ávida por agradar a família e criar um ambiente saudável para os filhos, Christine mostra as suas próprias inseguranças em relação ao corpo, a finanças e a todas as pequenas batalhas que perdeu durante a vida.

Mais espaço para as pessoas ao redor de Chip foi a melhor mudança que a segunda temporada trouxe. E isso não tem relação nenhuma com a atuação de Galifianakis, que aparece em dose dupla também como Dale. Bem como Christine, ele também se torna um personagem com mais nuances complexas, e isso adiciona ao clima melancólico da história. Um dos melhores episódios da temporada é quase totalmente focado em uma briga entre Chip e Dale, que culmina em um momento tocante entre os irmãos. No fim, a lugubridade é um lugar tão natural para Baskets que é exatamente o que faz da trama quase palpável.

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