Cannes 2014: Excesso de maniqueísmo prejudica novo filme do diretor de O Artista
The Search, exibido hoje pela manhã, conta os horrores da guerra na Chechênia, em 1999.

The Search, exibido hoje pela manhã, conta os horrores da guerra na Chechênia, em 1999.
Apesar de já ter três filmes lançados, o diretor Michel Hazanavicius apenas viu a carreira decolar em 2011, com O Artista. A ideia de recriar um filme seguindo as limitações técnicas da época do cinema mudo fez sucesso mundo afora, rendendo ao diretor o Oscar. Dois anos depois, ele retorna ao Festival de Cannes com seu novo longa-metragem, The Search, mal recebido pela imprensa internacional em sessão realizada na manhã de hoje.
A premissa inicial de The Search até é interessante: retratar os horrores da guerra através de um olhar humano, tendo como foco principal o conflito ocorrido na Chechênia, em 1999. Só que, para contar a história, Hazanavicius foi maniqueísta ao extremo. O maior exemplo é um dos personagens principais, um garoto que, após ver a família ser morta pelo exército russo, foge com o irmão caçula, ainda bebê. De olhar sempre tristonho, ele abandona o irmão na porta de uma casa e chega à cidade mais próxima, onde tenta sobreviver. Detalhe: durante a primeira metade do filme está sempre usando um gorro onde aparece bordado N.Y., sigla de Nova York, analogia clara da cidade com o objeto de proteção.
Os demais personagens principais também não fogem do estereótipo. A violência militar vem à tona através de um jovem obrigado a participar da guerra, enquanto Bérénice Bejo dá vida à uma funcionária das Nações Unidas que se frustra com a incapacidade de mudar de fato a situação à sua volta.
Por mais que tenha boas intenções, e até dê uma cutucada na ONU, The Search decepciona bastante pela condução da narrativa. Hazanavicius demonstra não ter o menor interesse em caracterizar o porquê da guerra na Chechênia, apenas em usar o conflito como meio através do qual a trama se desenvolve. Ou seja, poderia ser em qualquer outra guerra que não haveria grandes mudanças na história, tantos são os clichês utilizados em cena. Trata-se de um dos piores filmes da mostra competitiva deste ano, juntamente com Captives.
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