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CineOP 2017: Obra de cineastas negros pioneiros e filmes sobre a questão indígena são destaques

Segundo dia da Mostra de Cinema de Ouro Preto trouxe ainda a exibição de dois filmes experimentais que destacam a qualidade do trabalho da montadora Cristina Amaral, uma das homenageadas neste ano.

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CineOP 2017: Obra de cineastas negros pioneiros e filmes sobre a questão indígena são destaques

Segundo dia da Mostra de Cinema de Ouro Preto trouxe ainda a exibição de dois filmes experimentais que destacam a qualidade do trabalho da montadora Cristina Amaral, uma das homenageadas neste ano.

O segundo dia de sessões da 12ª CineOP levou discussões sobre identidade, memória e resistência para as ladeiras da cidade histórica de Ouro Preto na última sexta-feira (23). 

Anunciado como um dos principais destaques da mostra histórica deste ano, a sessão de Um é Pouco, Dois é Bom (1970) resgatou a importância de um nome pioneiro que muitas vezes não ganha o destaque merecido na historiografia do audiovisual brasileiro. Com direção de Odilon Lopez, a obra dividida em dois episódios  autônomos, intitulados Com um pouquinho de sorte e Vida nova por acaso.

Calcado em cima de uma ambientação urbana do Rio Grande do Sul — em contraste com o proeminência do chamado "cinema de bombachas", sobre a realidade rural gaúcha — Um é Pouco, Dois é Bom foi o primeiro longa-metragem de ficção no Brasil a contar com um realizador negro responsável por múlitplas funções importantes na feição cinematográfica. Lopez é o idealizador do projeto, autor do argumento, produtor, um dos atores principais e diretor do filme.

Com diálogos escritos por Luiz Fernando Veríssimo, ambos os episódios se centram em histórias que envolvem comentários sociais e mostram planos gerais do espaço urbano, mas sem idealizações cosmopolitas. Pobreza, marginzalização e racismo são alguns dos temas abordados, mas o caráter de crítica social é sutil e transversal.

Outro filme exibido na mostra histórica que resgata os primeiros baluartes negros do cinema nacional foi o curta Aniceto do Império, Em Dia de Alforria…? (1981), de Zózimo Bulbul, que começou sua carreira como realizador três anos depois de Um é Pouco, Dois é Bom no importante curta-metragem Alma no Olho (1973). Antes disso, Zózimo já era um dos principais expoentes negros do Cinema Novo, com atuações em Cinco Vezes Favela (1962), Ganga Zumba (1963), Terra em Transe (1967) e Jardim de Guerra (1970) e posteriormente também se firmou como ator de TV.

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