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Festival de Gramado 2017: Como Nossos Pais é ovacionado pela platéia

"É muito bom ser mulher nos dias de hoje", comemorou a diretora Laís Bodansky

Adorocinema·
Festival de Gramado 2017: Como Nossos Pais é ovacionado pela platéia

Fosse a plateia do Silvio Santos, o grito de guerra seria “É as mulheres, ôba!” O feminismo (o mais correto dizer seria a “tomada de consciência das mulheres”) pautou grande parte do debate em torno de Como Nossos Pais, segundo filme a entrar para a competitiva nacional de longas-metragens no 45º Festival de Gramado, ovacionado pelos espectadores na noite de sábado, 20, quando o filme teve sua primeira exibição pública.

Na obra, a diretora Laís Bodanzky transforma o material digno de filme-tese num improvável feel good movie sobre sucessivas catástrofes na vida de Rosa (Maria Ribeiro), mulher que briga com o marido pouco participativo, perde o emprego do qual sequer gostava, enfrenta a crise pré-adolescente da filha e ainda tem que lidar com um segredo bombástico lançado pela mãe. (Confira a crítica completa aqui).

A despeito do caráter de “identificação” e dessa tal “tomada de consciência” que o filme suscita, Laís explicou no festival gaúcho: “Eu estou ali [representada], a Maria [Ribeiro] está ali…”, no que foi interrompida pela atriz protagonista: “Eu não! Várias amigas minhas é que estão!”, provocou risos. Simples, o episódio é carregado de significados.

O primeiro deles dá conta de exemplificar essa nova posição que a mulher vem ganhando na sociedade – e o consequente rearranjo das unidades familiares. “A gente teve uma preocupação com o roteiro de não fazer um discurso das mulheres contra os homens”, explica Laís, que contextualiza o momento a partir de um exemplo aprendido em uma palestra da psicanalista Maria Rita Kehl.

“Durante toda história da humanidade até agora, homens e mulheres dividiam um cobertor curto, que sempre ficou mais para o lado do homem. E o que está acontecendo hoje é que a mulher puxou esse cobertor”. “Aquele que puxa é aquele que está com frio”.

Não se trata de um cabo de guerra, ela deixa claro: “Tem que ficar gostoso pra todo mundo”. E concluiu: “Está muito bom ser mulher hoje. Mais do que na semana passada”. Para a cineasta, o melhor exemplo dessa conscientização a respeito do real poder de mudança está na frase “mexeu com uma, mexeu com todas”. “É uma mulher olhando e sendo solidária a outra mulher”.

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