Janela de Cinema 2017: A África vista pelos africanos, pelos descendentes americanos e por um turista brasileiro
Garota Negra, Bush Mama e Gabriel e a Montanha.

O dia de sábado no X Janela Internacional de Cinema do Recife trouxe três filmes muito diferentes, porém todos consagrados à representação da história africana.
Garota Negra (1966), dirigido por Ousmane Sembene, retrata a vida de Diouana (Thérèse Mbissine Diop), mulher senegalesa que acredita ter tirado a sorte grande ao conseguir emprego na casa de uma família branca na França. Chegando ao local, no entanto, descobre uma rotina de abusos e opressão, além de um país que ainda trata a África como colônia. Um filme corajoso, ousando tocar nas feridas europeias com profundo senso de ironia.
Bush Mama (1979), de Haile Gerima, é uma dessas obras-primas que muitos cinéfilos ainda desconhecem. O X Janela presenteou o público com uma raríssima projeção em 16mm no Cinema São Luiz, permitindo a descoberta da jornada de Dorothy (Barbara O. Jones), mulher que luta para cuidar dos filhos e encontrar um emprego enquanto o marido cumpre pena na prisão. O filme é visceral, ousado, fazendo uso excepcional dos enquadramentos, dos sons e da música. Um retrato de opressão que, infelizmente, ainda parece bastante atual.
Gabriel e a Montanha, produção brasileira dirigida por Fellipe Barbosa, contrasta bastante com os dois filmes anteriores. Primeiro, por ser uma produção atual e com mais recursos de produção, mas também por enxergar a África pelo ponto de vista de um jovem carioca (João Pedro Zappa), que estudou nas melhores escolhas e ainda está ressentido por não entrar em Harvard.
Seu passeio turístico pelo continente africano é longamente retratado por Barbosa. Embora o protagonista negue a sua posição de turista, ele se revela pouco preocupado com a educação em meios desfavorecidos, o que a princípio constitui o tema de sua pesquisa de doutorado. O filme tem dividido opiniões: enquanto alguns espectadores veem no retrato uma crítica ao olhar estrangeiro, outros poderiam enxergar a representação condescendente de um jovem incapaz de ser transformado pelo cotidiano ao redor, visitando país após país com o mesmo senso de maravilhamento distanciado e fetichista.
A crítica do AdoroCinema, Taiani Mendes, aprova o resultado. Leia a nossa crítica.
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