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Olhar de Cinema 2017: Entrevista com Anocha Suwichakornpong, cineasta homenageada no festival

A diretora tailandesa ganhou uma retrospectiva completa de sua obra.

Adorocinema·
Olhar de Cinema 2017: Entrevista com Anocha Suwichakornpong, cineasta homenageada no festival

O 6º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba teve como homenageada uma jovem cineasta tailandesa, ainda pouco conhecida no Brasil: Anocha Suwichakornpong. O único filme da diretora exibido no país tinha sido História Mundana (2010), que a projetou no mercado internacional. O evento paranaense resgatou a obra completa da diretora, incluindo uma série de curtas-metragens e seu segundo longa-metragem, By the Time It Gets Dark (2016).

O AdoroCinema conversou com a diretora sobre seu trabalho, que mistura elementos naturalistas e fantásticos. História Mundana, em particular, narra a história de um jovem estudante de cinema, que se fica paraplégico após um acidente. Ele trava uma relação de amizade com o enfermeiro contratado pela família, por falta de afeto do pai distante.

História Mundana começa de maneira realista e gradualmente traz uma reflexão mais ampla sobre a vida e a morte. Como construiu essa transformação?

Anocha Suwichakornpong: O primeiro sinal de que este filme será mais do que um drama familiar é a quebra na narrativa. A tela escurece, surge uma pequena montagem com os tiros na casa e a narração de uma espécie de poema. O homem se vê como poeta, e quando é atingido pelo tiro, ele cai no chão. Essa é minha forma de guiar a audiência para além da narrativa principal do filme. Em termos do cosmos, há uma cena em que os personagens vão ao planetário e veem a exibição de uma supernova. Por causa da maneira como o filme se desenvolve, nós vemos essa supernova antes dos personagens a verem no planetário. 

A história relata o modo como as vidas humanas são pequenas em comparação com a natureza. Podemos falar de um filme niilista?

Anocha Suwichakornpong: Não tenho problemas com essa interpretação, mas, ao mesmo tempo, no fim do filme, nós vemos o nascimento de um bebê e as pessoas interpretaram essa cena de muitas maneiras diferentes. Depende de que pessoa você é. Algumas pessoas acreditam que, com o nascimento do bebê, o filme é otimista. Outras pessoas veem sofrimento. Gosto de deixar o filme aberto. É claro que tenho minha própria interpretação, mas não quero impô-la ao público.

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