The Get Down – Parte 2: Série derrapa no melodrama, mas acerta na paixão pela música (crítica)
Segunda parte da primeira temporada da série da Netflix sobre a gênese do hip-hop em Nova York estreou no serviço de streaming na última sexta-feira (7).

Segunda parte da primeira temporada da série da Netflix sobre a gênese do hip-hop em Nova York estreou no serviço de streaming na última sexta-feira (7).
A segunda parte da primeira temporada de The Get Down começa com o sempre reflexivo protagonista Ezekiel em um dos últimos andares de um arranha-céu no centro comercial de Nova York. De lá, concentrado, o rapaz que veio do gueto escreve uma carta para a banca de admissão da prestigiosa Universidade de Yale enquanto reflete sobre suas origens e seus sonhos.
Ao rememorar sua jornada pessoal, o jovem coloca no papel sua história de vida. "Eu não sou só o Bronx, sou Manhattan também", escreve ele, revelando uma das questões centrais dos cinco novos episódios da série sobre os primórdios do hip-hop: a pressão de estar dividido entre dois mundos.
Uma outra dicotomia afeta The Get Down: A falta de equilíbrio entre a dureza da realidade dos subúrbios de Nova York no final da década de 1970, tal como é apresentada de forma documental nas imagens de arquivo que preenchem a montagem da atração, e o ar excessivamente fabulesco da narrativa, que é marca registrada de Baz Luhrmann, co-criador da série ao lado do roteirista e dramaturgo Stephen Adly Guirgis.
Felizmente, a segunda leva de capítulos não conta com nenhum episódio tão caótico e cansativo quanto o episódio piloto "Onde há ruína, há esperança de um tijolo" (P1:E1), que foi dirigido por Luhrmann, o cineasta australiano cuja veia artística afeita à excessos já deu bons frutos nos cinemas (Moulin Rouge – Amor Em Vermelho), trabalhos medianos (O Grande Gatsby) e produções nada memoráveis (Austrália). Ainda assim, mesmo sem dirigir nenhum dos novos episódios, as digitais do realizador continuam presentes em toda parte — para mal ou para bem — e podem ser sentidas no ritmo frenético da edição, nos floreios estilísticos e na predileção pelo melodrama.
A segunda parte de The Get Down começa um ano depois dos eventos do episódio "Levante palavras, não a voz" (P1:E6), que encerra a primeira parte da série. O ano é 1978 e o filme-zeitgeist no Bronx, distrito pobre da cidade de Nova York, não é mais Guerra nas Estrelas, mas sim Os Embalos de Sábado à Noite.
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