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The Good Place: Um novo dia, um novo lugar (Crítica da 2ª temporada)

A segunda temporada da estrondosa série da NBC continua fazendo o que faz de melhor.

Adorocinema·
The Good Place: Um novo dia, um novo lugar (Crítica da 2ª temporada)

A segunda temporada da estrondosa série da NBC continua fazendo o que faz de melhor.

Em The Good Place, o inferno não é um antro em chamas controlado por um diabo vermelho e com um rabo pontudo. “Eu escolhi a forma de um homem branco de 40 anos por um motivo. Não posso falhar mais do que isso”, diz Shawn (Marc Evan Jackson) no episódio 10 da segunda temporada. É tirando sarro da burocracia de escritórios brancos, quadrados e abarrotados de homens caucasianos engravatados que The Good Place dá um gostinho de que não quer saber de humor banal. Se você for entrar neste jogo, é melhor entrar em modo de atenção.

Mas o maior triunfo da série de Mike Schur é como ela busca a cada semana uma redenção, justamente porque não tem medo de se reinventar (ou de se ‘rebootar’). De fato, foram mais de 800 versões da mesma realidade dentro daquele universo (grande parte delas condensadas no incrível episódio “Dance Dance Resolution”, o 2.02 na Netflix mas oficialmente o 2.03), mas para além disso a segunda temporada corajosamente se desprende de tudo o que fez na primeira, indo em frente com a história para provar mais uma vez que tem uma carta escondida na manga. É sem a menor condescendência que a série coloca os personagens em julgamento, que expõe o caráter moral de cada um deles e faz o que poucas séries fazem: deixa que mudem, que evoluam, que aprendam com os erros.

Neste sentido, ela nada contra a corrente das comédias e se aproxima dos dramas de anti-heróis da terceira Era de Ouro da TV (cá estamos novamente trazendo Breaking Bad para a discussão). Mas ainda assim ela continua fazendo o oposto do que se espera — como sabiamente observa o crítico James Poniewozik, do New York Times. Enquanto Walter White (Bryan Cranston) passa por uma jornada de evolução para o mal, The Good Place permite aos seus personagens que transitem para o outro lado, que de fato busquem se tornar pessoas melhores. É raro que séries tragam esta narrativa, e mais raro ainda que sejam bem-sucedidas.

É fácil se distanciar de personagens condenados à danação eterna quando estes personagens são Walter White ou um Tony Soprano (James Gandolfini) da vida. Você pode deitar a cabeça no travesseiro e tranquilamente concluir que jamais chegaria àqueles extremos. Mas quando os fadados a uma eternidade de tristeza são pessoas com as quais é fácil se identificar — da simplicidade boba de Jason (Manny Jacinto) à indecisão catastrófica de Chidi (William Jackson Harper), todos nós temos um pouco de Eleanor (Kristen Bell) —, a narrativa é irremediavelmente internalizada. E aí reside o maior segredo de The Good Place.

Vai sem dizer que alcançar a tal da evolução não é fácil, muito menos um trabalho repentino. Por exemplo, Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil) continua sendo a mesma pessoa auto-centrada, mas ao fim da temporada ela consegue reconhecer não apenas que é, sim, um ser humano falho, mas que há uma razão para isso que está além de sua capacidade de interferência. Nem tudo ela é capaz de mudar.

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